Tenho uma mesa em minha sala com quatro cabeças de Buda, cada uma diferente da outra. Com certeza pra mim e todos aqui de casa acham que é uma obra de arte única, porque aqui temos acesso a apenas estas e cada uma diferente da outra. Por ter comprado em uma loja de decorações já imagino que existam muitas mais como esta por provavelmente haver sido feito por moldes.
Walter Benjamim assume que a obra de arte tem uma aura, por ser uma obra prima única,
mas filosofando aqui em casa a respeito do Buda, me toquei que teve de existir um molde, este molde com certeza teria sua aura, e olhando a reprodução que isso gerou, vemos o reflexo de uma obra prima.
Walter Benjamim diz que na época em que a arte era escupida e pintada, as únicas obras de arte reprodutíveis eram as moedas que se usavam na época. Acho que já vi alguma foto destas moedas. Mas a foto que vi nada mais era que a reprodução fotográfica da moeda que foi reproduzida milhões de vezes. Que? Então a cópia em película de cópias em outros materiais perdem seu valor? Depende da raridade do produto, da numeração da unidade. Me lembro ter visto uma foto com um número em baixo que dizia: 3/10. Perguntei ao meu pai o porque desta numeração na reprodução desta imagem; meu pai me respondeu que isso significava que desta imagem apenas existiam 10 cópias, e que aquela que estávamos vendo representava a terceira cópia. Daí eu lhe perguntei, mais e se agente comprasse esta foto e copiasse um monte pra vender? Aí ele me respondeu que era falsificação e que não valeria nada.
Não valeria nada? Não continua sendo a mesma imagem? Não continua sendo uma cópia fiel de um espaço/tempo único? Então uma cópia vale alguma coisa quando foi feita pelo autor. Vale uma pintura feita pelo autor. Nunca seria a mesma coisa ter o Auto-Retrato de Rembrant pintado por ele do que uma cópia fiel também pintada, mais, por um marroquino. A autenticidade parece ser o motivo do reconhecimento. Jamais vou a um cinema duas vezes para ver o mesmo filme na mesma película, muito menos ir em dois cinema para comparar as cópias e pensar: Ah, essa cópia é de setembro de 2005, e a cópia que eu vi é de agosto, portanto a que eu vi antes tem mais valor que esta. Seria tolice comparar isso quando não se tem diferenças significativas. Voltando a Rembrant, O marroquino que pintou o Auto-Retrato de Rembrant é um dos melhores artistas de Marrocos, não é qualquer pessoa que consegue fazer uma cópia tão fiel como ele fez. Mais exposto no chão em cima de uma toalhinha amarela com quadrados brancos, os turistas passam, o cumprimentam e seguem seu caminho. Não dão o valor que a obra de arte dele, que deveria também estar em um museu, merece. Por ser uma cópia tem de ter um valor fixo. Afinal, ele não fez o autro-retrato dele mesmo não é?.
No cinema ocorre a mesma coisa. Se você vai no centro da cidade acaba não comprando o “DVD” “DVD” que estão gritando pra você. E se compra significa um crime. Um crime porque a gravadora copiou apenas cinco bilhões de cópias, e este DVD “pirata” não faz parte desta contagem, portanto esta cópia não tem o mesmo valor que a cópia feita por uma grande empresa. Claro que falando assim não estou botando em conta a qualidade do produto.
Parece que não para o cinema, que investe milhões para atingir um público de 9 bilhões de pessoas depende da cópia, mais apenas das SUAS cópias e não as dos outros.
Bibliografia:
Walter Benjamim, Na era da reprodutibilidade técnica.
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